O segundo trimestre de 2026 foi o teste que toda gestão diz estar preparada para enfrentar — e poucas de fato estão. O Ibovespa registrou sua pior sequência em anos, com queda de 8,24% no trimestre, enquanto o Clube de Investimentos “The Intelligent Investors” atravessou o período praticamente estável: −0,56% em abril, +1,76% em maio e −0,16% em junho.
Maio resume o trimestre: o Ibovespa recuou 7,22% no mês, pressionado pela saída de capital estrangeiro, pela deterioração fiscal e pela antecipação do ciclo eleitoral. O Clube subiu 1,76% no mesmo período.
O que derrubou a bolsa brasileira
O 2T2026 marcou um descolamento entre Brasil e mundo. Quatro fatores explicam a correção:
- Reversão do fluxo estrangeiro, que havia sustentado o rali do início do ano;
- Rotação global de capital em direção à tecnologia e IA nos EUA e na Ásia — o S&P 500 avançou 14,9% e o Nasdaq 21,4% no trimestre, os melhores resultados desde 2020;
- Risco fiscal doméstico;
- Início da precificação do risco eleitoral, com as eleições de outubro entrando no radar.
No cenário internacional, o Federal Reserve manteve os juros no intervalo de 3,50% a 3,75% e mudou o tom: removeu a sinalização de novos cortes, e metade do comitê passou a projetar ao menos uma elevação em 2026, diante de uma inflação que voltou a acelerar (4,2% ao ano em maio) com o choque de energia. A transição de liderança foi concluída com Kevin Warsh assumindo a presidência do Fed em maio.
Performance do semestre
O Clube encerrou o primeiro semestre de 2026 com rentabilidade acumulada de 8,01%, contra 6,77% do Ibovespa — um semestre de duas fases distintas: o rali dos ativos brasileiros no início do ano e a correção relevante do segundo trimestre. Foi justamente na fase adversa que a estratégia demonstrou seu valor: capturamos a alta do primeiro trimestre sem carregar para o segundo os excessos que o mercado precificava.
No acumulado desde a fundação, o Clube registra valorização de 97,38%, ante 44,77% do Ibovespa — um alpha de 52,61 pontos percentuais.
Retorno importa. Retorno ajustado ao risco importa mais.
Comparamos o Clube com treze dos fundos de ações mais renomados do país. O resultado:
- O “The Intelligent Investors” figura entre os três veículos de maior rentabilidade acumulada do grupo;
- E o faz com a menor volatilidade de todo o conjunto (13,49%);
- A relação retorno/risco de 7,22 é a melhor entre os treze veículos analisados — superando inclusive os fundos com rentabilidade absoluta superior, cujas volatilidades excedem 16% e 20%.
Esse resultado valida a premissa técnica da casa: é possível obter retornos expressivos sem expor o patrimônio a riscos desnecessários. A diferença fica visível justamente nos períodos de estresse — como o segundo trimestre demonstrou.
Perspectivas: Brasil descontado, EUA exigente
No Brasil, o Banco Central deu continuidade ao ciclo de flexibilização e reduziu a Selic para 14,25% em junho, mas o tom segue cauteloso: a inflação corrente está acima do teto da meta e as projeções de IPCA para 2026 rondam 5,2%, o que mantém a renda fixa como concorrente relevante dos ativos de risco.
Paradoxalmente, é a correção que restaura a assimetria favorável ao investidor de longo prazo. A bolsa brasileira voltou a negociar a cerca de 9 vezes o lucro projetado — aproximadamente 10% abaixo da média histórica e entre os mercados mais descontados do mundo. O desconto não é gratuito: reflete incertezas fiscais e eleitorais reais, que devem manter a volatilidade elevada até outubro. A resposta é seletividade: empresas com balanços robustos, capazes de atravessar um ciclo eleitoral com juros elevados sem depender de reprecificação do mercado para gerar valor.
Nos Estados Unidos, o contraste entre juros potencialmente mais altos e bolsas em máximas históricas — negociando com prêmio sobre suas médias de valuation e com desempenho concentrado em um único tema — recomenda cautela e diversificação.
Novidade do trimestre: cobertura de BDRs no software proprietário
Nosso software de pesquisa e valuation de ações passou a cobrir também os ativos internacionais listados na B3 (BDRs), com as mesmas metodologias aplicadas às companhias domésticas — incluindo o Piotroski F-score, que ranqueia empresas pela qualidade dos fundamentos e descarta as armadilhas de valor (value traps).
Na prática, isso significa comparar, sob um único critério quantitativo, empresas brasileiras e internacionais — e alocar capital onde a relação entre qualidade e preço for objetivamente superior. Em um cenário de dinâmicas divergentes entre os mercados brasileiro e americano, a ampliação chega no momento certo.
A carta completa
Os ciclos de mercado se alternam; o compromisso com a preservação e o crescimento consistente do patrimônio permanece. Baixe a carta completa abaixo, com todas as tabelas de performance mês a mês e a comparação detalhada com os fundos de renome.


